SOBRE OS CAMINHOS QUE LEVARAM À CONSOLIDAÇÃO DA AFROLIC



O Pensador é uma escultura chokwe, uma das muitas etnias angolanas. Hoje, é considerado símbolo da cultura nacional. Representa a figura de um ancião que pode ser do sexo feminino ou masculino. Concebida com a cabeça levemente inclinada para baixo, expressa a sabedoria dos idosos, os quais, em Angola e, na África tradicional, ocupavam, de modo geral, um estatuto de honra e destaque, por possuírem uma experiência de longos anos e um profundo conhecimento acerca dos mistérios da vida e da morte.

Inspirado nessa estatueta, o escritor angolano Henrique Abranches estilizou a imagem do Pensador, criando, em 1991, a pedido do escritor Luandino Vieira, a logomarca do I Encontro de Professores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, realizado em Niterói, na UFF, nesse mesmo ano. No I Encontro, um só Pensador foi usado como logotipo; no II Encontro, foram utilizados dois; no III Encontro, três; no IV, provavelmente usariam quatro. A logomarca foi assim estilizada:

A partir do IV Encontro de Professores das Literaturas Africanas, a logomarca criada foi a da estatueta africana que passou a representar desta data em diante a AFROLIC.

A AFROLIC é uma associação de estudos literários e culturais africanos que foi criada a partir do Encontro de Professores de Literaturas Africanas. O I Encontro de Professores de Literaturas Africanas ocorreu em 1991, na Universidade Federal Fluminense, UFF, quando a área contava com algumas pesquisas de professores que, desde a década de 70, ainda que enfrentando os desafios de trabalhar com uma jovem literatura, começavam a se debruçar sobre a produção literária de países africanos de língua portuguesa e suas respectivas realidades histórico-culturais. Naquela ocasião, o tema deste evento foi Repensando a africanidade. A organização do evento ficou sob a responsabilidade de Rita Chaves, Ruy Duarte de Carvalho, Laura Padilha, Luandino Vieira e João Melo.

Os preconceitos em relação à África e aos estudos africanos criaram dificuldades e não foi possível manter a regularidade do evento.Assim, o II Encontro de Professores de Literaturas Africanas, cujo tema foi Balanços e Perspectivas, só aconteceu 12 anos depois, em 2003, na Universidade de São Paulo - USP, dentro de uma realidade político-social brasileira diversa, em que já foi possível acompanhar a implementação da Lei 10.639/03. Este encontro ficou sob a organização de Tânia Macêdo, Rita Chaves e Benjamin Abdala Júnior.

A partir de então, ocorreram o III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, que foi realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, em 2007, cujo tema foi Pensando África: Crítica, Ensino e Pesquisa. Este encontro foi organizado por por Carmen Tindó, Silvio Renato Jorge e Maria Teresa Salgado.

O IV Encontro de Professores de Literaturas Africanas, realizado em 2010, em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto, cujo tema foi África, dinâmicas culturais e literárias, organizado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal de Ouro Preto. Este encontro foi organizado por Nazareth Fonseca, Terezinha Taborda e Maria Zilda Cury.

Como se pode observar, desde 2007 os encontros se tornaram periódicos, acontecendo de três em três anos. Já no III Encontro, atendendo às expectativas e anseios de pesquisadores do Brasil e de outros países, em assembleia que reuniu um número significativo de interessados em fortalecer cada vez mais as pesquisas em torno das literaturas africanas, encaminhou-se a ideia da criação da Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos AFROLIC, que foi regulamentada durante o IV Encontro, ocorrido em Ouro Preto em 2010.

O V Encontro de Professores de Literaturas Africanas teve como sede a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, nos dias 5, 6, 7 e 8 de novembro de 2013, e associou o I Encontro da Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos - AFROLIC. O evento foi organizado por Benjamin Abdala e Jane Tutikian.

Os acontecimentos das últimas décadas do século XX colocaram em xeque conceitos teórico-críticos de diversas frentes que por muito tempo balizaram as pesquisas em torno do campo cultural. Em paralelo, as questões impostas a partir de uma mundialização econômica cada vez mais galopante, obrigaram pesquisadores do mundo todo a reverem métodos e conceitos e a construírem de alguma forma caminhos possíveis onde as crises da vida material pudessem ser discutidas, questionadas, problematizadas e contestadas. Assim, segundo percursos muitas vezes diversos, muitas vezes afinados, os pesquisadores foram percebendo que era necessário, ainda, percorrer os caminhos de uma possível compreensão de que pensar a literatura é ainda, e cada vez mais, também pensar a questão da identidade. Essa questão que já ocupara importante espaço na primeira metade do século, com o avanço dos nacionalismos fascistas da Europa e, também, com o fenômeno global do fim dos impérios coloniais europeus, que se seguiu à II Guerra Mundial e que configura o fim das ocupações territoriais na África, se renova nas últimas décadas do século XX em função da crise econômica que se estende por todos os territórios nacionais. Assim, tornou-se urgente refletir acerca das novas condições sócio-culturais deflagradas e que incidiram ou impactaram inevitavelmente sobre as relações sociais de cada espaço atingido pela nova conjuntura. Desse modo, o V Encontro de Professores de Literaturas Africanas/ I Encontro da Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos (AFROLIC) debateu o tema Identidades africanas e comunitarismo supranacional: aproximações, tensões, fricções.

O VI Encontro de Professores de Literaturas Africanas/II Encontro da Associação Internacional de Estudos Críticos Literários e Culturais Africanos - AFROLIC -, organizado por Benjamim Abdala, Jane Tutikian e Sávio Roberto Fonseca de Freitas teve como sede a Universidade Federal Rural de Pernambuco, nos dias 5, 6 e 7 de dezembro de 2016. Relevante mencionar que a expansão dos Estudos Africanos Brasil fez com que nossos pares optassem por levar as discussões até então desenvolvidas no eixo Sul e Sudeste para o Nordeste, tendo em vista que boa quantidade de pesquisadores de nossa área se encontram lotados em IES que promovem o debate sobre as literaturas africanas em nível de graduação e pós-graduação, a saber: UFRPE, UFPE, UFRN, UFPB, UFC, UEPB, UNILAB, UECE, UERN, UFCG, UFS, UFBA, UNEB, UPE, entre outras instituições parceiras como a FUNESO, FACHO, FAFIRE e UNICAP.

Como o tema Dizer áfricas: vozes, literatura, mulher, o VI Encontro de Professores de Literaturas Africanas/II AFROLIC lançou uma discussão que ainda recai sobre epistemologias identitárias, só que sob uma orientação temática disposta a refletir sobre aspectos estéticos e ideológicos que territorializam em múltiplas encruzilhadas o discurso literário africano quando posto diante de bases orais, literárias e femininas/feministas. Além disso, o evento se propõe a homenagear intelectuais brasileiras que se destacam nos estudos especializados sobre Literaturas Africanas, são elas: Profa.Dra. Rita Chaves (USP), Profa.Dra. Nazareth Fonseca (PUC-Minas), Profa. Dra. Carmen Tindó (UFRJ), Profa.Dra. Elisalva Madruga (UFPB), Profa.Dra. Laura Padilha (UFF), Profa.Dra. Simone Caputo Gomes e Profa.Dra. Moema Augel (Alemanha).

O VII Encontro de Professores de Literaturas Africanas /III Encontro da AFROLIC realiza-seem 2019 na UFRN (Natal), nos dias 29, 30 e 31 de Julho, com o tema Literatura, Desigualdade e Ensino. Nesta edição do evento serão homenageados o escritor cabo-verdiano Luis Romano, a Profa.Dra. Laura Padilha (UFF), a Profa.Dra.Inocência Mata (Universidade de Lisboa), a Profa.Dra.Nilma Lino Gomes (UFMG), a Profa.Dra. Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa), a escritora Ana Paula Tavares (Angola) e a escritora Sónia Sultuane ( Moçambique).

Hoje a AFROLIC, em função do árduo trabalho de pesquisadores brasileiros, portugueses e africanos que aqui foram elencados como pesquisadores diretamente envolvidos no Encontro de Professores de Literaturas Africanas, tornou-se uma associação respeitada no âmbito nacional e internacional no que diz respeito aos estudos africanos, não agregando apenas professores de Literatura, mas também abrindo espaço para discussões sobre todas as áreas das Humanidades que possuem a África e seus desmembramentos como motes para o desenvolvimento de pesquisas na graduação e na pós-graduação em universidades de todo o mundo.

Fica aqui um convite de participação e agregação para todos os pesquisadores que de algum modo pensam a África a partir de uma epistemologia literária e cultural.




GESTÃO 2016-2019

Sávio Roberto Fonseca de Freitas  

PRESIDENTE GERAL 

Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, Brasil.


Tania Maria de 

Araújo Lima

  

VICE-PRESIDENTE
 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, Brasil. 


Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco  


VICE-PRESIDENTE

Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Brasil. 



Derivaldo 

dos Santos  

1º TESOUREIRO

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, Brasil. 


 


Vanessa Neves Riambau Pinheiro  


1ª SECRETÁRIA
 

Universidade Federal da Paraíba, UFPB, Brasil.  

Rosilda Alves
Bezerra 

2º TESOUREIRA

Universidade Estadual da Paraíba, UEPB, Brasil.  

 

Valdenides Cabral de Araújo Dias


2ª SECRETÁRIA 

Universidade Federal do Rio

Grande do Norte,UFRN,Brasil.